Quando percebi que estava vivendo em ciclos que eu não conseguia quebrar.

Você já teve a sensação de que está vivendo em ciclos?

Como se você tentasse sair de um determinado lugar, conseguisse se afastar por alguns dias ou até alguns meses, mas, de alguma maneira, acabasse voltando exatamente para onde começou?

Eu já tive essa sensação.

E, durante muito tempo, não conseguia entender por que isso acontecia comigo.

Eu me perguntava por que minhas tentativas de mudança pareciam sempre fracassar.

Eu tentava mudar meus hábitos, mudar minha rotina, começar novamente, fazer diferente.

Em alguns momentos, acreditava que daquela vez seria diferente.

Fazia planos, criava expectativas e pedia a Deus forças para conseguir seguir por um caminho novo.

Mas o tempo passava e, quando eu percebia, estava novamente no mesmo lugar.

Era como se eu tivesse caminhado muito, mas, no final, descobrisse que estava exatamente onde havia começado.

Essa sensação era frustrante, porque eu sabia que estava tentando.

O problema era que tentar, nem sempre estava sendo suficiente para mudar aquilo que eu ainda não conseguia enxergar.

Foi durante esse processo de busca e de reflexão sobre mim mesma que comecei a perceber algo que até então não estava tão claro: eu estava vivendo em ciclos.

Eu repetia comportamentos, pensamentos e escolhas sem perceber completamente o que estava fazendo.

E talvez essa tenha sido uma das percepções mais difíceis que precisei enfrentar.

Eu queria mudar, mas continuava vivendo em ciclos

Por muito tempo, eu achei que mudar significava simplesmente tomar uma decisão e seguir em frente.

Eu pensava que bastava querer muito, criar coragem e começar.

Só que, na prática, descobri que não era tão simples assim.

Eu podia desejar profundamente uma mudança e, mesmo assim, continuar repetindo os mesmos comportamentos.

Havia momentos em que eu dizia para mim mesma: “Agora vai ser diferente”.

Eu começava novamente, tentava organizar a vida e acreditava que finalmente conseguiria sair daquele lugar.

Só que, depois de alguns dias ou meses, alguma coisa acontecia e eu retornava aos velhos hábitos e àquela rotina que eu tanto queria deixar para trás.

E isso me fazia questionar a mim mesma.

Será que eu realmente queria mudar?

Será que me faltava força de vontade?

Será que eu não estava tentando o suficiente?

Essas perguntas muitas vezes acabavam pesando ainda mais, porque eu transformava cada recomeço interrompido em uma prova de que havia alguma coisa errada comigo.

Hoje consigo olhar para aquela fase de uma maneira um pouco diferente.

Eu não acredito que tudo se resumia à falta de vontade.

Existiam padrões que eu ainda não compreendia.

O conhecido pode ser desconfortável, mas ainda assim pode parecer mais seguro do que aquilo que não conhecemos.

O estranho conforto de voltar ao conhecido

Talvez uma das coisas mais difíceis de admitir seja que, algumas vezes, uma parte de nós quer sair de determinado lugar enquanto outra parte ainda encontra algum conforto nele.

Foi exatamente assim que eu me sentia.

Eu queria mudar, mas também estava acostumada com aquela versão da minha vida.

Eu conhecia aquele caminho, aqueles hábitos e aquela rotina.

Sabia como funcionavam.

O novo, por outro lado, exigia de mim decisões que eu ainda não sabia se conseguiria sustentar.

Era uma sensação contraditória.

Uma parte de mim detestava estar naquele lugar, enquanto outra parecia encontrar uma espécie de abrigo justamente nele.

E talvez por isso eu continuasse voltando.

Não porque eu gostasse completamente daquela situação, mas porque ela era conhecida.

Às vezes, parece apenas uma sequência de tentativas que não deram certo.

Só quando olhamos para trás conseguimos perceber que os acontecimentos tinham algo em comum.

E foi justamente esse olhar para trás que começou a mudar a maneira como eu enxergava minhas próprias tentativas.

O problema não era apenas recomeçar

Vivendo em ciclos
Fonte: Vivendo fora do automático

 

Eu sempre fui muito acostumada a recomeçar.

Quando alguma coisa não dava certo, eu pensava em começar novamente.

E recomeçar pode ser importante.

O problema é quando o recomeço acontece sem que a gente compreenda o que nos fez parar anteriormente.

Eu começava de novo, mas carregava comigo os mesmos pensamentos, os mesmos hábitos e, muitas vezes, as mesmas atitudes.

Eu mudava o começo, mas não necessariamente mudava aquilo que fazia o ciclo continuar.

Foi uma percepção difícil, porque significava reconhecer que eu precisava olhar para dentro com mais sinceridade.

Não bastava perguntar “por que não consigo mudar?”.

Eu precisava começar a perguntar também:

O que acontece comigo antes de eu desistir?

O que me faz voltar?

O que eu estou tentando evitar?

O que existe nesse lugar conhecido que ainda me prende?

Essas perguntas não trouxeram respostas imediatas.

Na verdade, algumas delas me deixaram ainda mais confusa.

Mas comecei a perceber que talvez eu não precisasse encontrar todas as respostas de uma vez.

Talvez o primeiro passo fosse simplesmente reconhecer que havia um padrão.

E reconhecer um padrão muda alguma coisa.

Porque aquilo que antes parecia acontecer por acaso começa a ganhar um significado diferente.

Como percebi que estava repetindo os mesmos caminhos

Quando comecei a observar minha própria história com mais atenção, percebi algumas características que apareciam repetidamente.

Não eram necessariamente acontecimentos idênticos, mas havia uma estrutura parecida.

Eu começava cheia de esperança, criava uma expectativa de mudança, tentava manter aquela nova postura e, depois de algum tempo, alguma dificuldade aparecia.

Aos poucos, eu perdia o ritmo, começava a adiar aquilo que havia decidido fazer e retornava para os comportamentos anteriores.

Algumas coisas que passei a observar foram:

  • Eu começava mudanças com muita expectativa e pouca preparação para os momentos difíceis.
  • Quando não conseguia manter o ritmo, interpretava isso como fracasso.
  • Voltava para hábitos que já conhecia porque exigiam menos enfrentamento.
  • Esperava que alguma coisa externa mudasse para que eu finalmente conseguisse mudar.
  • Recomeçava várias vezes sem compreender completamente por que havia parado.
  • Depositava muita esperança em um novo começo, mas pouca atenção ao que acontecia durante o caminho.

Perceber isso não resolveu tudo de uma hora para outra.

Mas me fez entender que talvez eu estivesse olhando apenas para o resultado e não para o processo.

Eu enxergava que tinha voltado ao mesmo lugar, mas não observava com atenção o caminho que me levava novamente até lá.

Talvez eu não precisasse de outro recomeço

Durante muito tempo, eu achei que precisava de um novo começo.

Uma nova oportunidade, uma nova rotina, uma nova decisão, alguma coisa que finalmente me tirasse daquele lugar.

Hoje penso que, em determinados momentos, talvez eu precisasse menos de um novo começo e mais de uma nova compreensão sobre aquilo que estava vivendo.

Porque recomeçar sem entender o ciclo pode fazer com que a gente apenas dê mais uma volta.

E foi isso que aconteceu comigo algumas vezes.

Eu começava novamente cheia de esperança, mas levava para o novo começo as mesmas dificuldades que ainda não tinha aprendido a reconhecer.

Não estou dizendo que hoje tenho todas as respostas.

Não tenho.

Ainda existem momentos em que percebo antigos padrões tentando reaparecer.

A diferença é que agora consigo reconhecer algumas coisas que antes passavam despercebidas.

E talvez essa seja uma das mudanças mais importantes: perceber o ciclo antes de chegar novamente ao mesmo lugar.

Sair de um ciclo também exige paciência comigo mesma

vivendo em ciclos
Fonte: Vivendo fora do automático

 

Eu gostaria de dizer que, depois que percebi tudo isso, consegui simplesmente mudar. Mas não foi assim.

Entender uma coisa não significa automaticamente conseguir colocá-la em prática.

Ainda existem dias em que eu me sinto cansada, desanimada e sem forças para fazer aquilo que sei que preciso fazer.

Existem momentos em que o conhecido parece muito mais confortável do que o novo.

E existem dias em que eu tenho vontade de simplesmente parar de tentar.

Mas comecei a entender que mudança não precisa significar uma transformação perfeita e imediata.

Talvez mudar também seja perceber mais cedo quando estou voltando para um comportamento antigo.

Talvez seja conseguir interromper um ciclo antes que ele se complete novamente.

Quando olho para trás, vejo que muitas das minhas tentativas não foram completamente inúteis.

Mesmo aquelas que terminaram em frustração me ensinaram alguma coisa.

Cada tentativa mostrou um pouco mais sobre mim, sobre minhas dificuldades e sobre os lugares para os quais eu costumava voltar.

E talvez seja isso que eu esteja aprendendo agora: não preciso ter força para transformar toda a minha vida de uma única vez.

Preciso apenas começar a enxergar com mais clareza o caminho que estou percorrendo.

Talvez a minha história ainda tenha muitos recomeços pela frente.

Mas existe uma diferença importante agora: eu não quero simplesmente recomeçar. Quero compreender por que volto, reconhecer quando estou repetindo os mesmos caminhos e aprender, pouco a pouco, a escolher diferente.

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Por aqui, compartilho reflexões sobre propósito, autoconhecimento, mudanças, hábitos, procrastinação e os desafios de viver uma vida que realmente faça sentido.

Não tenho todas as respostas. Estou aprendendo enquanto caminho.

E talvez seja justamente isso que significa, para mim, viver fora do automático: parar, olhar para dentro e começar a fazer escolhas mais conscientes.

Fique à vontade.

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