Como manter a constância e parar de procrastinar

Você, assim como eu, já deve ter se perguntado várias vezes: como manter a constância e parar de procrastinar?

Eu queria muito que existisse uma resposta pronta, rápida e simples para essa pergunta.

Talvez uma técnica que pudéssemos aprender hoje e que, a partir de amanhã, fizesse com que levantássemos da cama dispostos, cumpríssemos todas as nossas tarefas e nunca mais deixássemos nada para depois.

Mas, infelizmente, não é assim.

O caminho é bem menos confortável.

Manter a constância exige muito mais do que força de vontade.

Exige disciplina, repetição, consciência e a disposição de começar novamente mesmo depois de um dia em que tudo saiu diferente do planejado.

E eu falo isso não como alguém que descobriu a fórmula perfeita.

Muito pelo contrário.

Falo como alguém que conhece de perto a procrastinação e sabe como é começar o dia cheia de vontade de fazer as coisas e, algumas horas depois, perceber que o plano simplesmente desandou.

Manter a constância não significa nunca falhar

Durante muito tempo, eu pensei que ser uma pessoa constante significava conseguir fazer alguma coisa todos os dias sem interrupções.

Na minha cabeça, se eu começasse uma atividade e conseguisse mantê-la durante semanas, então estaria finalmente sendo disciplinada.

Mas bastava um dia ruim para eu sentir que tinha colocado tudo a perder.

Hoje, começo a perceber que talvez a constância não tenha tanto a ver com nunca parar, mas com voltar.

Voltar depois de um dia improdutivo.

Voltar depois de uma semana difícil.

Voltar depois de perceber que passei horas fazendo qualquer coisa, menos aquilo que realmente precisava fazer.

Porque, se eu depender de nunca falhar para continuar, provavelmente vou desistir muitas vezes.

A constância, para mim, começa a fazer mais sentido quando deixo de enxergá-la como uma linha reta.

A vida não é uma linha reta.

Existem dias em que conseguimos cumprir aquilo que planejamos e existem outros em que simplesmente não conseguimos.

O problema não está necessariamente em cair fora da rotina.

O problema é transformar uma queda em uma desistência definitiva.

A procrastinação costuma aparecer no meio do caminho

Uma das coisas que mais percebo em mim é que a procrastinação nem sempre aparece no começo do dia.

Às vezes, começo muito bem.

Acordo pensando no que preciso fazer, organizo mentalmente minhas tarefas e sinto aquela sensação boa de que, finalmente, vou colocar minha vida em ordem.

Só que, no passar das horas.

Eu faço uma coisa, depois outra.

Paro um pouco.

Pego o celular.

Olho alguma coisa que nem estava procurando.

Quando percebo, já se passaram alguns minutos.

Depois, mais alguns.

E aquilo que parecia apenas uma pequena pausa começa a tomar conta de uma parte enorme do meu dia.

É nesse momento que percebo uma coisa importante: não basta começar bem. É preciso aprender a se observar durante o caminho.

Talvez esse seja um dos maiores desafios para quem procrastina.

Não é apenas descobrir como começar uma tarefa, mas perceber o momento exato em que estamos nos afastando dela.

Porque, muitas vezes, quando percebemos, já estamos há muito tempo fazendo qualquer outra coisa.

O exame de consciência pode ensinar muito sobre constância

parar de procrastinar
Fonte: Vivendo Fora do automático

 

Existe uma prática atribuída à tradição pitagórica que estou usando muito nesse processo: o exame de consciência.

A ideia era revisar as próprias ações, observar os erros, reconhecer os acertos e aprender com aquilo que havia acontecido.

Na tradição original, os praticantes se faziam três perguntas fundamentais antes de dormir:

  • Em que errei? (Para identificar pontos de melhoria)
  • O que fiz de bom? (Para reconhecer os acertos e fortalecer a autoestima)
  • O que deixei de fazer que deveria ter feito? (Para calibrar a disciplina e a intenção)

Eu gosto muito dessa ideia porque ela traz algo que considero essencial para quem deseja mudar: observar a própria vida em vez de simplesmente passar por ela no automático.

Precisamos nos observar várias vezes durante o dia

Por isso, passei a fazer essa revisão várias vezes ao dia, e não apenas antes de dormir.

Percebi que, se deixasse para o final da noite, corria o grande risco de passar o dia inteiro procrastinando e só notar quando já fosse tarde demais.

Por isso, acredito que podemos transformar esse exame de consciência em pequenas pausas durante o dia.

Não precisa ser algo demorado, complicado ou cheio de regras.

Pode ser simplesmente parar por alguns segundos e perguntar para nós mesmos: “O que eu estou fazendo agora?”

Depois: “Isso está me aproximando ou me afastando do que eu preciso fazer?”

Essa pergunta aparentemente simples pode funcionar como um pequeno sinal de alerta.

Às vezes, vamos perceber que estamos exatamente onde deveríamos estar.

Em outras, vamos perceber que já estamos há vinte minutos no celular, quando deveríamos estar estudando, trabalhando ou resolvendo alguma coisa importante.

E, nesse momento, não precisamos transformar a percepção em culpa. Podemos simplesmente voltar.

Pequenas perguntas podem ajudar a recuperar o foco

Eu gostaria de transformar essa ideia em algo bem prático.

Não como uma fórmula mágica, mas como uma espécie de conversa interna que podemos fazer algumas vezes ao longo do dia.

Quando perceber que estou me afastando do que preciso fazer, posso me perguntar:

  • O que eu deveria estar fazendo agora?
  • Por que estou evitando essa tarefa?
  • Estou cansada ou simplesmente procurando uma distração?
  • Qual é o menor passo que posso dar neste momento?
  • Se eu continuar adiando, como vou me sentir daqui a algumas horas?
  • O que posso fazer agora, mesmo que seja por apenas dez minutos?

Para mim, existe uma diferença enorme entre perguntar “por que eu sou assim?” e perguntar “o que eu posso fazer agora?”.

A primeira pergunta pode me prender ao problema.

A segunda me coloca novamente em movimento.

E talvez seja disso que precisamos quando procrastinamos: menos tempo tentando descobrir por que somos incapazes e mais disposição para dar o próximo pequeno passo.

Disciplina não precisa ser uma guerra contra nós mesmos

Durante muito tempo, a palavra disciplina me parecia pesada.

Parecia significar acordar cedo, cumprir tudo perfeitamente, não sentir preguiça e fazer aquilo que precisava ser feito independentemente de como eu estivesse me sentindo.

Hoje, penso que disciplina pode ser algo diferente.

Pode ser simplesmente cumprir pequenos acordos que fazemos conosco.

Pode ser sentar para estudar mesmo quando não estou com vontade.

Pode ser começar uma tarefa por dez minutos.

Pode ser guardar o celular durante determinado período.

Pode ser perceber que estou procrastinando e decidir interromper aquele comportamento antes que ele consuma o restante do meu dia.

A disciplina também pode existir sem agressividade.

Eu não preciso me chamar de preguiçosa, irresponsável ou incapaz toda vez que procrastino.

Posso reconhecer o comportamento sem transformar aquele comportamento na minha identidade.

Afinal, procrastinar é algo que eu faço em determinados momentos.

Não precisa ser aquilo que eu sou.

Constância é aprender a voltar

Talvez essa seja a parte que mais preciso lembrar: eu não preciso acertar o dia inteiro para ter um dia bom.

Posso começar a manhã bem e me perder depois do almoço.

Posso perceber isso às três da tarde e retomar.

Posso ter uma semana ruim e decidir recomeçar na segunda-feira seguinte. Posso interromper uma rotina e reconstruí-la.

O que não posso fazer, se realmente quero mudar, é acreditar que um erro significa que tudo acabou.

Porque a procrastinação também pode se alimentar desse pensamento.

“Já perdi a manhã, então o dia acabou.”

“Já não estudei ontem, então não adianta estudar hoje.”

“Já saí da dieta, então vou continuar.”

“Já deixei essa tarefa para depois, agora não faz mais diferença.”

Faz diferença.

Sempre existe alguma coisa que ainda pode ser feita.

Parar de procrastinar é um processo, não uma transformação instantânea

parar de procrastinar
Fonte: Vivendo Fora do automático

 

Se existe uma coisa que estou aprendendo é que como manter a constância e parar de procrastinar não é uma pergunta que precisa ter uma resposta perfeita.

Talvez seja uma pergunta que precisamos continuar fazendo para nós mesmos.

Porque haverá dias em que conseguiremos.

Haverá dias em que não conseguiremos.

Haverá manhãs produtivas, tardes confusas, noites em que vamos nos orgulhar do que fizemos e outras em que vamos perceber que poderíamos ter feito diferente.

E tudo bem.

O importante é não abandonar completamente aquilo que queremos construir só porque não conseguimos manter o ritmo que imaginávamos.

Para mim, constância começa a significar isso: perceber, corrigir e continuar.

Não esperar até a noite para descobrir como passei o dia.

Não esperar até a segunda-feira para recomeçar.

Não esperar pelo próximo mês para mudar alguma coisa.

Talvez eu precise me perguntar várias vezes durante o dia:

“É isso mesmo que eu quero continuar fazendo agora?”

E, se a resposta for não, simplesmente voltar.

Sem drama.

Sem culpa.

Sem prometer que nunca mais vou procrastinar.

Apenas voltar.

Porque talvez manter a constância não seja nunca sair do caminho.

Talvez seja desenvolver a consciência necessária para perceber quando saímos dele e a coragem de escolher o caminho novamente.

E, para alguém que, assim como eu, conhece bem a procrastinação, talvez esse já seja um começo muito importante.

Leia também:

Por que procrastinamos? Entenda o que está por trás da proscrastinação

Postagem anterior
Próxima postagem

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posts em alta

Procrastinação . Autoconhecimento . Propósito

Criei este espaço porque gosto de refletir sobre a vida.

Por aqui, compartilho reflexões sobre propósito, autoconhecimento, mudanças, hábitos, procrastinação e os desafios de viver uma vida que realmente faça sentido.

Não tenho todas as respostas. Estou aprendendo enquanto caminho.

E talvez seja justamente isso que significa, para mim, viver fora do automático: parar, olhar para dentro e começar a fazer escolhas mais conscientes.

Fique à vontade.

Espero que você se identifique e se sinta em casa por aqui.

Me siga

Vivendo Fora do Automático

Autoconhecimento: voltando para onde nunca deveríamos ter saído.

Inscreva-se para mais!

Você foi inscrito com sucesso! Ops! Algo deu errado; por favor, tente novamente.

Vivendo Fora do Automático

Procrastinação e autocrítica: quando a culpa começa a tirar o brilho da vida.

Edit Template

© 2023 Created with Royal Elementor Addons