Procrastinação e autocuidado: o duelo constante de um procrastinador

Se você parar para pensar por um segundo, vai perceber que a procrastinação pode afetar praticamente todas as áreas da nossa vida.

E uma das mais prejudicadas é justamente o cuidado que deveríamos ter com nós mesmos.

É curioso pensar nisso, porque, muitas vezes, conseguimos encontrar forças para cumprir as obrigações do dia, mas, quando chega a hora de fazer alguma coisa por nós, parece que toda a nossa disposição desaparece.

Por muito tempo, vivi assim.

As atividades do trabalho, os estudos e as obrigações diárias iam sendo realizadas aos trancos e barrancos, porque, querendo ou não, eram compromissos que precisavam ser cumpridos.

Mesmo sem muita disposição, dava um jeito de fazer acontecer.

Mas, quando se tratava daquilo que não era uma obrigação imediata, a história era completamente diferente.

O banho mais demorado que eu havia planejado, a lavagem do cabelo, as unhas para fazer, a roupa para passar e até aquela maquiagem antes de sair de casa acabavam ficando para depois.

E esse depois, muitas vezes, nem chegava.

Eu adiava pequenos cuidados como se eles não fossem importantes, sem perceber que, pouco a pouco, também estava adiando a atenção que precisava dedicar a mim mesma.

A questão não era simplesmente deixar uma tarefa para outro momento.

Era entender por que eu conseguia fazer tantas coisas por obrigação, mas encontrava tanta dificuldade para fazer o mínimo por mim.

E foi justamente nesse conflito entre a procrastinação e o autocuidado que comecei a perceber que precisava mudar alguma coisa.

Como a procrastinação foi tomando espaço na minha rotina

Durante muito tempo, acreditei que procrastinar era apenas adiar tarefas importantes, como estudar para uma prova, resolver um problema ou concluir alguma atividade.

Mas a procrastinação também aparecia em situações aparentemente pequenas, aquelas que quase ninguém percebia.

Eu conseguia cumprir compromissos externos, mas tinha dificuldade para manter os cuidados básicos que contribuíam para o meu bem-estar.

Muitas vezes, acordava e permanecia por horas na cama.

Minha mente até fazia planos: levantar, tomar banho, organizar as coisas e começar o dia.

Só que meu corpo parecia não acompanhar aquilo que eu havia planejado.

Ficava ali, mexendo no celular ou voltava a dormir, até que as horas passavam e eu acabava levantando muito mais tarde do que pretendia.

Quando finalmente me levantava, o dia já parecia começar atrasado.

E, dependendo do compromisso, eu precisava fazer tudo correndo.

O banho era o mais rápido possível, a roupa era a primeira que aparecia pela frente e o cabelo nem sempre estava como eu gostaria.

Saía de casa com a sensação de que poderia ter me preparado melhor, mas, naquele momento, já não havia tempo para fazer diferente.

O mais interessante é que essas situações se repetiam.

Eu sabia o que precisava fazer, tinha consciência do que estava deixando de lado e, mesmo assim, continuava adiando.

A procrastinação e o autocuidado não era apenas uma disputa entre ter ou não ter vontade de fazer alguma coisa.

Era um comportamento que se repetia e que, aos poucos, transformava o cuidado comigo mesma em mais uma tarefa acumulada.

O autocuidado que eu deixava sempre para depois

Procrastinação e autocuidado
Fonte: Vivendo fora do automático

 

Quando falo sobre autocuidado, não estou falando de ter uma aparência impecável todos os dias, estar sempre maquiada ou sair de casa com a roupa perfeitamente passada.

Não é essa a questão.

Estou falando de perceber minhas próprias necessidades e entender que também mereço tempo, atenção e cuidado, mesmo quando não existe ninguém me cobrando isso.

Por muito tempo, negligenciei coisas simples.

As unhas ficavam para depois, a higiene dos pés era adiada, o cabelo passava do momento de ser lavado e até aquele banho mais tranquilo, que poderia me proporcionar uma sensação de bem-estar, parecia exigir um esforço enorme.

Eram cuidados que eu planejava mentalmente, mas que nem sempre conseguia transformar em atitudes.

E não parava por aí.

A alimentação também sofria as consequências.

Em alguns momentos, por falta de disposição para preparar uma comida, acabava recorrendo ao fast-food ou escolhendo aquilo que fosse mais fácil naquele instante.

A atividade física também ficava na lista das coisas que eu pretendia começar, mas que continuavam esperando por uma oportunidade que nunca parecia chegar.

Quando olho para esses comportamentos, percebo que o problema não estava em deixar de fazer as unhas em um dia ou pedir uma comida pronta de vez em quando.

Todos nós temos dias em que precisamos descansar ou simplificar a rotina.

A questão era a repetição, o hábito de deixar minhas necessidades sempre em segundo plano.

Na disputa entre procrastinação e autocuidado, eu estava acostumada a escolher o adiamento, mesmo quando isso me fazia sentir que estava me afastando de mim.

Por que recomeçar pode ser tão difícil?

Existe uma parte desse processo que considero importante compartilhar: perceber que precisamos mudar não significa que conseguiremos mudar imediatamente.

Às vezes, imaginamos que basta tomar uma decisão, criar uma rotina organizada e começar a fazer tudo de maneira diferente.

Mas, na prática, o recomeço pode ser bem mais difícil do que parece.

Quando passamos muito tempo repetindo determinados comportamentos, eles podem se tornar habituais.

Levantar tarde, permanecer no celular, adiar uma tarefa e deixar o autocuidado para depois acabam fazendo parte de uma sequência que conhecemos muito bem.

Quando tentamos mudar, precisamos construir outras maneiras de agir, e isso pode exigir esforço, planejamento e paciência.

É nesse momento que podemos sentir como se não tivéssemos forças para reagir.

A gente faz planos, promete que no dia seguinte será diferente e, quando chega a hora de agir, encontra as mesmas dificuldades de antes.

Isso pode gerar frustração e aquela sensação desagradável de estar sempre começando, mas nunca conseguindo continuar.

Por isso, acredito que precisamos olhar para a procrastinação e o autocuidado com mais compreensão e menos julgamento.

Não adianta transformar cada dificuldade em uma prova de que somos incapazes.

A procrastinação pode ter diferentes causas, incluindo cansaço, estresse, sobrecarga emocional e dificuldades para iniciar tarefas.

Se a dificuldade para realizar cuidados básicos for persistente e prejudicar muito a vida cotidiana, buscar ajuda profissional também pode ser um passo importante.

Mudar não precisa significar enfrentar tudo sozinha.

Como começar a sair desse ciclo sem tentar mudar tudo de uma vez

Se você está passando por algo parecido, quero compartilhar um conselho que hoje considero muito importante: não se desespere e não tente fazer tudo de uma vez.

Sei que, quando finalmente percebemos quantas coisas estamos deixando para depois, surge uma vontade enorme de colocar a vida inteira em ordem.

Queremos acordar cedo, cuidar da alimentação, fazer exercícios, organizar a casa, cuidar da aparência e ainda manter uma rotina perfeita.

Mas imagine tentar mudar, em poucos dias, tudo aquilo que você repetiu durante meses ou anos.

A cobrança pode ficar tão grande que, diante da primeira dificuldade, você acaba desistindo.

Por isso, em vez de criar uma lista interminável de obrigações, que tal começar escolhendo uma ou duas atitudes possíveis para a sua realidade?

A proposta não é abandonar a vontade de melhorar, mas aprender a construir mudanças que você consiga sustentar.

Em vez de pensar em tudo o que precisa fazer durante a semana, experimente se concentrar no próximo passo.

Hoje, talvez seja levantar da cama assim que acordar.

Amanhã, pode ser organizar um pouco o ambiente ou separar uma roupa com antecedência.

São atitudes simples, mas que podem ajudar a criar uma nova relação com a própria rotina.

Para mim, a grande mudança começa quando deixamos de esperar pela disposição perfeita para agir.

Nem todos os dias teremos a mesma energia, e isso faz parte da vida.

O importante é aprender a reconhecer nossos limites sem transformar cada dificuldade em desistência.

Na disputa entre procrastinação e o autocuidado, pequenas escolhas podem abrir espaço para uma relação mais atenta e respeitosa com nós mesmas.

Atitudes simples para retomar o autocuidado

Procrastinação e autocuidado
Fonte: Vivendo fora do automático

 

Se você não sabe por onde começar, experimente escolher algumas das atitudes abaixo, adaptando-as à sua realidade:

  • Levante da cama ao acordar: se for possível, evite permanecer por muito tempo no celular. Comece sentando na cama, colocando os pés no chão e se levantando no seu ritmo.
  • Tome um banho com tranquilidade: não precisa transformar o banho em um ritual elaborado. Apenas reserve esse momento para cuidar de si, sem tratá-lo como mais uma tarefa a ser cumprida correndo.
  • Escolha um cuidado pessoal por dia: pode ser lavar o cabelo, cuidar das unhas, organizar a roupa ou dedicar alguns minutos à higiene e ao bem-estar.
  • Reconheça o que conseguiu fazer: em vez de olhar apenas para as tarefas que ficaram pendentes, perceba também aquilo que você realizou. Pequenos avanços merecem ser reconhecidos.

Você não precisa seguir essa lista inteira amanhã.

Escolha uma atitude que pareça possível e comece por ela.

O autocuidado não deve se transformar em uma nova cobrança, muito menos em mais um motivo para se sentir culpada.

Ele precisa ser uma forma de prestar atenção em si mesma e nas próprias necessidades.

Procrastinação e autocuidado: meu recomeço começa hoje

Hoje, quando penso na relação entre procrastinação e autocuidado, entendo que não quero mais deixar tudo o que diz respeito a mim para depois.

Não significa que nunca mais vou adiar uma tarefa, acordar cansada ou ter um dia em que tudo pareça mais difícil.

Sou humana, e a vida não acontece de maneira perfeitamente organizada.

O que desejo é não permitir que o adiamento se torne a regra e que minhas próprias necessidades continuem sendo ignoradas.

Talvez você esteja lendo este texto e se reconhecendo em algumas dessas experiências.

Talvez também tenha uma lista de coisas que deseja fazer por si, mas que continua adiando.

Se for esse o seu caso, não quero que você termine esta leitura pensando em tudo o que deixou de fazer até aqui.

Quero que pense no que ainda pode começar, respeitando seu momento, suas condições e suas possibilidades.

E sabe qual é o conselho que dou a mim mesma e a você? Por hoje, quando acordar, experimente se levantar.

Vá tomar seu banho, olhe para o espelho e dê parabéns a si mesma por essa conquista.

Pode parecer pouco para quem olha de fora, mas talvez seja justamente o primeiro passo de que você precisava.

Não é sobre resolver a vida inteira em uma manhã.

É sobre começar a mostrar, por meio de pequenas atitudes, que você também merece cuidado.

Um passo de cada vez, sem deixar de olhar para mim

Então, se hoje você sente que está negligenciando o próprio autocuidado, comece devagar.

Não espere a próxima segunda-feira, o próximo mês ou o momento em que finalmente terá disposição para fazer tudo.

Escolha uma pequena atitude e coloque-a em prática quando for possível.

Depois, tente novamente.

Porque cuidar de si não precisa ser mais uma obrigação pesada na sua lista.

Pode ser uma maneira de voltar a se enxergar, de respeitar suas necessidades e de construir, um dia de cada vez, uma vida em que você também tenha lugar.

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Por aqui, compartilho reflexões sobre propósito, autoconhecimento, mudanças, hábitos, procrastinação e os desafios de viver uma vida que realmente faça sentido.

Não tenho todas as respostas. Estou aprendendo enquanto caminho.

E talvez seja justamente isso que significa, para mim, viver fora do automático: parar, olhar para dentro e começar a fazer escolhas mais conscientes.

Fique à vontade.

Espero que você se identifique e se sinta em casa por aqui.

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