Você já ouviu aquela frase: “Fulano tem menos potencial que você e já conquistou tanta coisa, e você, tão inteligente, e nada”? Pois pasmem: eu já ouvi.
E, por muito tempo, ficava angustiada quando alguém me dizia isso.
Sentia como se estivesse ficando para trás, como se houvesse alguma coisa errada comigo que eu ainda não tivesse conseguido descobrir.
Hoje, olhando para a minha história, consigo reconhecer que aquelas pessoas talvez estivessem enxergando em mim capacidades que eu mesma não conseguia ver.
Eu tinha potencial, sim, mas não acreditava o suficiente em mim para desenvolvê-lo.
Era como se existisse uma distância enorme entre aquilo que eu poderia fazer e aquilo que eu realmente me permitia tentar.
O mais curioso é que não faltavam pessoas dizendo que eu era inteligente, que tinha capacidade e que poderia conquistar coisas importantes.
O problema era que nenhum elogio parecia ser suficiente para mudar a maneira como eu me enxergava.
Por dentro, eu continuava duvidando de mim, das minhas escolhas e da minha capacidade de enfrentar situações novas.
Com o tempo, comecei a entender que reconhecer meu potencial não significava ter todas as habilidades desenvolvidas ou estar preparada para qualquer desafio.
Significava, antes de tudo, parar de me condenar antecipadamente e começar a me dar a oportunidade de aprender.
E foi quando comecei a perceber isso que minha relação comigo mesma passou a mudar.
Como a autocrítica me fazia desistir antes mesmo de tentar
Lembro de quando encontrava uma oportunidade de emprego que queria muito.
Em vez de pensar no que poderia fazer para me preparar, minha mente imediatamente começava a listar tudo aquilo que, supostamente, me impedia de conseguir a vaga.
“Você não tem qualificações suficientes. Não vai passar nem na primeira entrevista. Se duvidar, nem vai conseguir falar direito na entrevista de tão nervosa que vai ficar.”
E sabe o que eu fazia?
Muitas vezes, recuava antes mesmo de me inscrever.
Eu nem chegava a descobrir se aquela oportunidade poderia ser minha, porque a minha própria mente já havia decidido que eu não era capaz.
Com os concursos, acontecia algo parecido.
Eu começava os estudos animada, cheia de planos e com aquela vontade de fazer dar certo.
Mas, depois de algum tempo, os pensamentos sabotadores apareciam: “Vixe, português é difícil! E raciocínio lógico Sem falar nas outras matérias!
Será que você vai conseguir aprender tudo isso?”.
Aos poucos, a empolgação dava lugar à insegurança.
Em algumas dessas experiências, eu já chegava à véspera da prova ou da entrevista passando mal.
Sentia dor na barriga, náusea, dor de cabeça e aquela sensação de que alguma coisa daria errado.
O medo de não conseguir era tão presente que, muitas vezes, eu sofria antes mesmo de saber qual seria o resultado.
Hoje percebo como a falta de confiança em mim mesma influenciava não apenas meus pensamentos, mas também minhas atitudes.
O que o autoconhecimento me ajudou a perceber sobre mim

Foi por meio do autoconhecimento e dos meus estudos sobre neurociência que comecei a observar esses comportamentos com outros olhos.
Passei a perceber que havia um padrão: diante de uma oportunidade importante, eu imaginava os piores cenários, duvidava da minha capacidade e, muitas vezes, desistia.
Depois, ficava com a sensação de que não estava avançando na vida como gostaria.
Comecei a me perguntar: será que eu realmente não sou capaz ou estou acreditando tanto nos meus pensamentos negativos que nem me permito descobrir o que posso fazer?
Essa pergunta me fez refletir bastante, porque, durante muito tempo, tratei minhas inseguranças como se fossem fatos.
Se eu pensava que não conseguiria, era como se aquilo já estivesse decidido.
Estudar sobre o funcionamento da mente também me ajudou a compreender que nossos pensamentos influenciam a maneira como interpretamos as situações e reagimos a elas.
Quando estamos acostumados a esperar o fracasso, podemos passar a enxergar qualquer desafio como uma ameaça.
Isso não significa que todo medo seja imaginário ou que basta pensar positivo para resolver tudo, mas que vale a pena questionar as conclusões que tiramos sobre nós mesmos.
Aos poucos, fui entendendo que precisava mudar a maneira como conversava comigo mesma.
Não adiantava esperar que outras pessoas acreditassem em mim se eu continuasse alimentando uma voz interna que me diminuía.
Eu precisava aprender a reconhecer minhas limitações sem transformar cada uma delas em uma sentença sobre quem eu sou.
A mudança aconteceu quando decidi agir mesmo com medo
Durante muito tempo, talvez eu tenha esperado sentir confiança suficiente para dar o próximo passo.
Imaginava que, quando estivesse mais preparada, quando tivesse menos medo ou quando finalmente acreditasse que era capaz, conseguiria agir com tranquilidade.
Só que essa segurança que eu tanto esperava nem sempre chegava.
Hoje, a mudança tem acontecido de uma maneira muito mais realista.
O medo ainda aparece.
Às vezes, o pensamento de que não vai dar certo surge antes de uma entrevista, de uma oportunidade profissional ou de um novo desafio.
A diferença é que agora estou aprendendo a não tratar esse pensamento como uma ordem que preciso obedecer.
Quando a insegurança aparece, tento me lembrar de que já não quero continuar desistindo de mim antes de tentar.
Então, mesmo com aquele frio na barriga, procuro seguir em frente.
Posso estar nervosa, posso não ter todas as respostas e posso até cometer erros, mas isso não significa que devo deixar de participar, estudar, me candidatar ou buscar aquilo que desejo.
É nesse momento que começo a repetir para mim mesma: “Eu sou capaz. Eu sou uma baita profissional. Eu tenho capacidade”.
Não digo essas coisas porque acredito que sou perfeita ou que vou conseguir tudo o que quiser.
Digo porque também preciso reconhecer minhas qualidades, minhas experiências e tudo aquilo que posso desenvolver.
Não quero mais enxergar apenas o que me falta.
Acredito que voltar a acreditar no meu potencial passa justamente por essa mudança: parar de esperar que o medo desapareça para começar a viver de outra maneira.
Estou aprendendo que a confiança também pode ser construída durante o caminho, por meio das tentativas, dos aprendizados e das pequenas atitudes que me mostram que sou capaz de enfrentar situações que antes me faziam recuar.
O que estou aprendendo para continuar acreditando no meu potencial
Não acordei um dia completamente segura de mim, sem dúvidas ou inseguranças.
Estou aprendendo a me observar, a reconhecer quando a autocrítica começa a falar mais alto e a escolher atitudes que estejam mais alinhadas com a vida que desejo construir.
Algumas coisas têm me ajudado nessa caminhada:
- Questionar os pensamentos negativos: quando penso que não vou conseguir, procuro me perguntar se tenho fatos que comprovem isso ou se estou apenas antecipando um resultado que ainda não aconteceu.
- Parar de me comparar tanto com outras pessoas: cada pessoa tem sua história, suas oportunidades, suas dificuldades e seu tempo. Posso me inspirar nas conquistas alheias sem usar a trajetória de alguém para diminuir a minha.
- Reconhecer minhas qualidades: em vez de olhar somente para aquilo que preciso melhorar, também procuro lembrar das minhas experiências, dos conhecimentos que adquiri e das habilidades que já desenvolvi.
- Agir mesmo sem me sentir totalmente preparada: nem sempre vou me sentir confiante antes de começar. Às vezes, preciso dar o primeiro passo e aprender ao longo do percurso.
- Entender que errar não diminui meu valor: posso não passar em uma seleção, não alcançar a nota desejada ou não conseguir alguma coisa na primeira tentativa. Isso pode me frustrar, mas não define toda a minha capacidade.
- Respeitar meu processo: estou construindo uma nova relação comigo mesma, e isso exige tempo, paciência e disposição para continuar, mesmo quando a insegurança reaparece.
Essas atitudes não são uma fórmula mágica para nunca mais sentir medo.
São lembretes de que posso fazer escolhas diferentes, mesmo quando meus pensamentos tentam me levar de volta aos velhos hábitos.
Cada vez que me permito tentar, abro espaço para uma experiência nova.
Também estou aprendendo que acreditar no meu potencial não significa ignorar minhas dificuldades.
Pelo contrário: significa olhar para elas com honestidade, buscar o que preciso aprender e compreender que não saber alguma coisa hoje não me impede de desenvolvê-la amanhã.
Eu não quero mais ser a pessoa que desiste de si mesma
Quando penso em tudo o que deixei de tentar por duvidar de mim, sinto que poderia ter vivido algumas experiências de outra maneira.
Talvez tivesse me inscrito em mais oportunidades, enfrentado algumas entrevistas com outra postura ou seguido estudando sem me cobrar tanto pelo resultado.
Naquele momento, eu estava lidando com os recursos emocionais e com a compreensão que tinha de mim mesma.
Hoje, consigo enxergar algumas coisas que antes não percebia.
E, se existe algo que quero fazer com esse aprendizado, é usá-lo para construir um presente diferente, em vez de continuar me punindo pelo passado.
Voltar a acreditar no meu potencial também significa aceitar que ainda estou em construção.
Preciso me permitir desenvolver minhas habilidades, reconhecer meus limites e continuar buscando aquilo que faz sentido para mim.
Quero que minhas decisões sejam cada vez menos determinadas pelo medo de fracassar e cada vez mais orientadas pela vontade de experimentar, aprender e crescer.
Talvez eu ainda fique nervosa antes de uma entrevista.
Talvez, diante de um concurso, volte a pensar que algumas matérias são difíceis demais.
A diferença é que não quero mais usar essas sensações como justificativa para abandonar meus objetivos.
Posso sentir medo e, ainda assim, me inscrever.
Posso duvidar de mim em alguns momentos e, ainda assim, continuar estudando. Posso não saber o resultado e, mesmo assim, reconhecer o valor de ter tentado.
No fim das contas, estou descobrindo que acreditar em mim não é ter certeza de que tudo vai dar certo.
É compreender que, mesmo quando as coisas não saem como planejei, continuo tendo a capacidade de aprender, recomeçar e buscar novos caminhos.
E você, tem acreditado no seu potencial?
Se você também costuma desistir antes de tentar, porque já imagina que não vai conseguir, quero deixar uma reflexão: quantas oportunidades você deixou passar não porque alguém disse que você não era capaz, mas porque você mesmo começou a acreditar nisso?
Não estou dizendo que basta acreditar para conquistar tudo.
Existem dificuldades reais, desigualdades, falta de oportunidades e situações que não dependem apenas da nossa vontade.
Mas também existem momentos em que a nossa própria insegurança nos impede de dar passos que poderíamos, ao menos, tentar.
Eu não quero mais viver esperando me sentir pronta para tudo.
Quero continuar aprendendo, me preparando e enfrentando os desafios que aparecem pelo caminho.
Quero acreditar no meu potencial sem precisar ter garantias de sucesso, porque a vida não oferece garantias para quase nada.
E, se hoje você ainda não consegue acreditar plenamente em si, talvez possa começar de uma forma simples: não precisa convencer sua mente de que você é capaz de fazer tudo.
Comece apenas se permitindo tentar aquilo que você vem adiando por medo de não conseguir.
Eu estou fazendo isso, um passo de cada vez.
Dessa vez, mesmo com medo, eu vou.
Porque estou aprendendo que acreditar no meu potencial também é uma forma de não desistir de mim mesma.








